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Avaliação de Startups: como fazer?

Conheça alguns métodos de avaliação de startups.

A avaliação de Startups pode se constituir em um desafio complexo. Considerando que os modelos de avaliação tradicionais de empresas, que usam como premissas os dados históricos das organizações e tendências baseadas nos produtos e serviços, e as empresas de base tecnológica, que estão nascendo, não possuem estas informações. Então, necessitamos de métodos alternativos para determinar o valor de uma Startup.

Para se avaliar uma empresa tradicional utiliza-se normalmente o método do fluxo de caixa descontado. Este método consiste em projetar os resultados da empresa para um horizonte de 5 a 10 anos, dependendo da natureza do negócio.

Este fluxo de caixa é projetado considerando o histórico de crescimento da empresa, o comportamento das Receitas, Despesas e Custos ao longo dos anos anteriores. Utiliza-se comumente o CAGR – Compound Anual Growth Rate, ou Taxa Composta de Crescimento Anual para as projeções de Receitas e projeção de índices de inflação para estimar o comportamento das Despesas e Custos.

No entanto, percebe-se que as estimativas são baseadas em premissas já normalmente conhecidas e validadas. O que é completamente diferente de uma startup, já que não temos nenhum histórico que possa servir de referência.

Outros métodos podem e devem ser considerados também ao se fazer uma avaliação de empresas, como os comparativos através de múltiplos e a avaliação patrimonial, que permitem avaliar a empresa sobre outros aspectos.

O comparativo por múltiplos permite comparar o valor da empresa com o valor de outras empresas. Considerando dados históricos de transações ou a avaliação de empresas similares que tenham ações listadas nas bolsas de valores.

O mais conhecido é o EV/EBITDA, que é obtido dividindo o valor da empresa ou ENTERPRISE VALUE pelo EBITDA, Earn Before Interest, Tax, Depreciation and Amortization, em português Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização. Este lucro é também conhecido como margem de caixa. Normalmente ele demonstra a capacidade de geração de caixa da empresa. Por isso, é uma medida bem considerada nas avaliações.

Já a avaliação patrimonial visa identificar o valor dos ativos da empresa como terrenos, edificações, instalações, maquinários, veículos e afins. É útil em situações em que há um valor imobilizado considerável, são as chamadas empresas de CAPEX – CApital EXpenditure intensivo, ou empresas com alto investimento em bens de capital.

Retomando então a questão das startups, não é possível avaliar uma utilizando qualquer um destes métodos, já que não existem dados históricos, como também comparativos e muito menos patrimônio. Ou seja, o negócio não tem informações suficientes para permitir uma avaliação pelos métodos tradicionais.

Devemos ainda considerar os riscos envolvidos, já que uma grande mortalidade atinge startups. São conceitos inovadores, novas tecnologias, muitas vezes disruptivas, que podem ter grande aceitação ou não. Na verdade a grande maioria não prospera. Ou seja, temos um enorme componente de risco a avaliar.

Alguns métodos, ainda que com um grande grau de subjetividade, buscam fazer a avaliação de startups:

Método de Venture Capital

Este método foi criado na Universidade Harvard, em que o valor da startup é visto sob a ótica do investidor. É um dos métodos mais utilizados. Como sempre o investidor está em busca de um retorno. Ele sabe que em cada 10 empresas investidas,  9 não irão dar retorno. Então a que der resultados, têm que compensar o prejuízo das demais. Estima-se então um retorno esperado, por exemplo, pelo menos 20x.

O Investidor traça o seu horizonte de saída, digamos para daqui a 5 anos. Projeta-se o resultado para aquele período, o valor esperado pela empresa e as diluições esperadas. Então, a partir destes dados, o investidor determinará o valor de sua participação na startup.

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Método Berkus

Neste método, calcula-se o valor das companhias baseado em cinco fatores: valor básico da ideia, o protótipo existente (tecnologia), o time gerencial de qualidade (execução), as relações estratégicas (go-to-market) e a capacidade de vendas (produção).  Cada um destes fatores, terá um valor máximo em função da projeção de receita e resultados esperados para a startup no momento de saída.

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Método Scorecard

Este é um método com uma abordagem mais elaborada para a determinação de um preço de uma startup. É determinado um valor inicial para a startup. E então o valor é ajustado de acordo com um conjunto de critérios. Eles serão ponderados de acordo com o seu impacto no sucesso do projeto.

O valor inicial pode ser obtido através de uma média das avaliações antes do investimento ofertadas no Seed ou Love Money (a 1ª rodada de negociação da startup para a captação de recursos) pelos Angels (Investidores profissionais em Startups) ou Fundos de Venture Capital (Fundos especializados em Startups).

Podem ser considerados como critérios para a avaliação: a capacidade do time, a tecnologia, o tamanho do mercado e a competição. Cada um destes com um peso existente. Cada fator recebe uma nota que irá gerar um multiplicador, e este será aplicado ao valor inicial do negócio antes do investimento.

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avaliação de startups  Bill Payne que foi o criador do método explica, com maiores detalhes esta metodologia neste artigo.

Método Comparable Transactions

O método de transações comparáveis é similar ao método dos múltiplos. Identifica-se um indicador típico do negócio e então procura-se transações similares para chegar a um valor.

Este indicador poderá ser específico da sua indústria: receita recorrente, número de usuário, tamanho da rede social, número de pontos comerciais, ou mesmo indicadores financeiros como o EBITDA. Ele será aplicado para Startups que já estão em operação.

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Uma boa base de informações sobre transações com Startups é a CrunchBase, onde você encontra notícias e dados sobre as últimas transações e negócios.

O blog do Prof. Aswath Damodaran tem também vasto material do sobre valuation, inclusive com dados de transações.

Leia também: A Necessidade de Capital de Giro e sua influência na viabilidade financeira

Conclui-se que não há um método ideal. Todos carregam uma boa dose de subjetividade. O mais importante é que nessa discussão, consiga-se chegar a um bom termo na negociação entre os investidores e empreendedores. De forma a permitir o crescimento e amadurecimento do negócio.

O melhor método então será aquele útil para o desenvolvimento da empresa. Que também atenda às expectativas das partes, e em especial o empreendedor, que é a peça chave para o desenvolvimento do negócio.

Professor autor: Diocelio Dornela Goulart

  • Ricardo Normand

    Muito bom Diocélio. Um ponto importante são os comparáveis (múltiplos), muito comumente usados nos Estados Unidos, mas nem sempre são bem aceitos aqui no Brasil, ou são usados como referência aqui, mas com um grande desconto em função da nossa imaturidade do mercado de capitais e o tal “Risco Brasil”…