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A Necessidade de Capital de Giro e sua influência na viabilidade financeira

A Necessidade de Capital de Giro e sua influência na viabilidade financeira

Compreender sobre a liquidez de uma empresa não é tarefa fácil. Uma das grandes dificuldades na gestão financeira das empresas está na disponibilidade de capital de giro para conseguir manter o crédito em dia. Porém, é muito importante saber de onde vem o Capital de Giro e principalmente dimensionar o tamanho da sua necessidade, pois o que determina a capacidade de pagamento de suas obrigações está exatamente na análise de sua liquidez ou Tesouraria. 

Uma das grandes dificuldades na gestão diária das empresas está relacionada com a manutenção de crédito com seus fornecedores, forma pelo qual ajudará na capacidade de honrar os compromissos em dia. Mas, crédito tem uma relação direta com “confiança” ou “credo”, na origem da palavra. Assim, é natural que, para conseguir operar mantendo o crédito ativo é necessário que as compras de materiais aconteçam com um prazo médio maior que o prazo médio de recebimentos. Isso dará condições financeiras para a manutenção da capacidade de pagamentos. Da mesma forma, prorrogar o pagamento aumentará a necessidade de capital de giro. Capital de Giro é o dinheiro necessário em disponibilidade imediata para cumprir com os compromissos financeiros, ou aquele recurso necessário para pagar em dia fornecedores, salários, obrigações sociais, impostos sobre vendas. Assim, é muito importante compreender como a necessidade desse recurso se dá e como ela pode comprometer a viabilidade financeira. De outro lado, também é muito importante compreender como se forma o capital de giro. Necessidade por si só não dá a real noção de viabilidade. A formação do capital de giro tem importante papel na viabilidade também. É claro que, receber antes de pagar faz parte de uma premissa importante nos negócios. Mas não é só isso. Vamos entender:

Necessidade de capital de giro

A necessidade de capital de giro (NCG) está relacionada diretamente com as contas operacionais, ou cíclicas, como são conhecidas. São aquelas contas que acompanham o movimento operacional da empresa, como Estoque, Contas a Receber, Fornecedores a Pagar, Salários a Pagar, Impostos sobre Vendas a Recolher e Obrigações Sociais a Pagar. Contas financeiras, como Empréstimos a Pagar, Caixa, Bancos, Aplicações Financeiras não são partes operacionais e sim financeiras. Não estão relacionadas com o movimento cíclico (prazo). Esta separação é muito importante para o perfeito entendimento da necessidade de capital de giro.

Contas operacionais e Capital de Giro

As contas operacionais deverão ser separadas de acordo com o respectivo lado do balanço, ou seja, estoque e contas a receber no lado Ativo e Contas a Pagar (com fornecedores, salários, obrigações sociais e impostos sobre vendas) do lado do Passivo. É sempre importante lembrar que, no lado do Ativo figuram os investimentos da empresa, sendo de curto e longo prazo. No lado do Passivo, estão as obrigações onerosas e não onerosas ou financiamentos (operacionais e financeiros). Assim, podemos compreender que Estoque e Contas a Receber são investimentos (operacionais) e as contas a pagar citadas anteriormente são financiamentos operacionais. Se os investimentos operacionais forem superiores aos financiamentos operacionais temos uma condição de Necessidade de Capital de Giro (NCG) Positiva. Essa informação sozinha também não dá a interpretação de viabilidade. É oportuno comparar a NCG com o Capital de Giro (CDG) que é formado pelo confronto das contas de financiamentos de longo prazo (próprias e financeiras) com os investimentos de longo prazo. Financiamentos próprios de longo prazo se referem ao Capital Próprio da empresa figurado pelo Patrimônio Líquido e os financiamentos financeiros de longo prazo são recursos de bancos.

Outra compreensão importante também é saber que todo investimento tem seu devido financiamento. Desta forma, se os financiamentos de longo prazo forem maiores que os investimentos de longo prazo temos uma situação de CDG positivo. E onde figura a viabilidade financeira da empresa? Exatamente na diferença entre o CDG e a NCG. O resultado é chamado de posição de Tesouraria (T), ou o grau de liquidez da empresa. Também pode ser considerada se a empresa tem capacidade de pagamento ou não. Importante indicador de viabilidade, pois a Tesouraria determina a situação financeira. Existem várias classificações de situação de liquidez, como por exemplo:

Fonte: Fleuriet (2003)

A conclusão que se tem sobre a NCG na viabilidade financeira está no seu tamanho, ou também no tamanho do tempo que a empresa leva para o dinheiro voltar para a empresa (ciclo financeiro), pois a empresa compra, vende seus produtos e serviços, paga suas obrigações e recebe pelas vendas. Muita vezes antes de vender a mercadoria, já está pagando ao fornecedor. Isso de fato demonstra a dimensão da NCG. Quanto maior o ciclo financeiro maior será sua NCG. As contas operacionais relacionadas na NCG merecem muita atenção. Por outro lado, saber produzir CDG suficiente tem a mesma importância. É claro que nas contas de financiamento de longo prazo, os lucros das operações determinam a capacidade de liquidez. Lucro é a principal fonte de capital de giro próprio de uma organização. Lucro é o resultado de um movimento entre receita menos custos menos despesas. Portanto, precificar bem faz toda a diferença na formação do CDG.

Também podemos concluir que a forma como os investimentos de longo prazo e operacionais são financiados são determinantes na condição de liquidez. Como o mercado exige prazos para os pagamentos, encurtar prazo médio de recebimento fica mais restrito nas decisões estratégicas, assim como alongar o prazo médio de pagamento aos fornecedores, pois os mesmos querem receber mais cedo. Desta forma, uma conta muito estratégica está relacionada ao Estoque. Esta sim faz uma grande diferença na viabilidade financeira. Daí a grande preocupação em adotar processos logísticos cada vez mais eficientes, para reduzir ao máximo o peso financeiro do investimento operacional.

A viabilidade está relacionada com as decisões eficientes entre investimento e financiamento. Trata-se de uma combinação importante na viabilidade das empresas. Pensem nisso! Não é só receber antes de pagar, mas sim no volume de estoque e, principalmente no seu giro.

Professor autor: Lawrence Machado