IGTI Blog
blockchain

Criptomoedas e a tecnologia Blockchain além do Bitcoin

Saiba mais sobre as milhares de criptomoedas diferentes do Bitcoin que existem, além de outras aplicações da tecnologia Blockchain.

Anteriormente em nosso Blog, falamos sobre Bitcoin e a relação entre a moeda descentralizada e a Blockchain. Em resumo, Blockchain é o nome que se dá à estrutura de dados por trás do Bitcoin, e os dois conceitos surgiram juntos em 2008. Nos últimos cinco anos, especialmente desde 2017, o Bitcoin ganhou muito mais exposição na mídia e muitas pessoas ouviram falar na moeda, especialmente notícias relacionadas às enormes oscilações de preço. Mas você sabia que, além do Bitcoin, existem mais de duas mil outras das chamadas criptomoedas? E que além disso a Blockchain possui também outras aplicações reais não ligadas a moedas?

O site CoinMarketCap lista mais de duas mil e duzentas criptomoedas, exibindo o preço médio (média dos preços ponderada pelo volume das corretoras), volume de trocas e um valor de mercado calculado multiplicando-se o preço atual pelo número de moedas em circulação. Atualmente este valor de mercado do Bitcoin ultrapassa os 150 bilhões de dólares, enquanto o total de todas as criptomoedas listadas no site é de mais de $ 270 bilhões, o que mostra que o Bitcoin ainda representa mais da metade do valor total.

Chamadas de “altcoins”, termo geralmente usado para se referir a qualquer criptomoeda que não seja o Bitcoin, estas moedas em geral possuem uma Blockchain própria e características ou propostas que diferem do Bitcoin. As primeiras altcoins surgiram a partir de forks do Bitcoin, ou seja, possuem o código derivado dele. O primeiro fork conhecido a gerar uma cadeia separada significativa, foi o chamado Namecoin em abril de 2011. Como não tinha o foco de ser uma criptomoeda, o termo mais usado para o Namecoin é “altchain”, e não “altcoin”. O objetivo do projeto era desenvolver uma solução descentralizada para substituir o DNS (Domain Name Service).

Entre 2011 e 2014 várias outras criptomoedas com o código baseado no Bitcoin surgiram, como IXCoin, Litecoin, Peercoin e Dogecoin. Estas moedas também eram baseadas em Blockchain, ou seja, possuíam o registro público de todas as transações, organizadas em blocos encadeados utilizando criptografia, e funcionavam de forma bem análoga ao Bitcoin. Mas cada uma delas trazia em seu projeto alguma mudança, apresentada geralmente como alguma melhoria ou vantagem competitiva em relação ao Bitcoin. Essas alterações incluíam transações mais rápidas, taxa de emissão de novas moedas diferentes e alterações no algoritmo de consenso, que corresponde ao mecanismo que garante o funcionamento da plataforma de forma descentralizada, ou seja, uma entidade central que verifica a validade de todas as transações é substituída por um consenso entre todos os membros da rede.

Várias dessas primeiras altcoins desapareceram (perderam valor de mercado e tiveram o desenvolvimento descontinuado) ou passaram por grandes mudanças, incluindo alteração de nome, mas algumas como Litecoin e Dogecoin ainda são negociadas em muitas corretoras e possuem valor de mercado (de acordo com o CoinMarketCap) superior a centenas de milhões de dólares.

Em julho de 2015 surgiu uma importante plataforma baseada em Blockchain com criptomoeda própria que revolucionou o cenário das altcoins: a plataforma Ethereum. Diferente da maioria das altcoins existentes, o Ethereum surgiu com um projeto próprio totalmente novo, não tendo seu código baseado no Bitcoin. Além disso, a proposta do projeto não é somente ser uma criptomoeda, e sim uma rede de contratos inteligentes executando na Blockchain. A plataforma possui uma máquina virtual (EVM ou Ethereum Virtual Machine) que é dita uma Máquina de Turing completa, que permite a programação e execução de uma infinidade de cálculos e computações utilizando sua linguagem de programação própria. Na prática, isso significa que diferentes programas de computador podem ser implementados, compilados e registrados na estrutura de dados Blockchain, de forma que funcionam de forma descentralizada e imutável. Desta forma, o Ethereum se propõe a ser um computador descentralizado.

Uma das aplicações de contratos inteligentes na rede do Ethereum mais difundidas é a criação de tokens criptográficos, que na prática funcionam como novas altcoins. Assim, o Ethereum possibilitou a criação de milhares de tokens que podem ser transferidos, comprados ou vendidos em corretoras e armazenados em carteiras sem a necessidade de Blockchains próprias: todos eles são programados diretamente na Blockchain do Ethereum e ao realizar transferências, as taxas são pagas em Ether (ETH), a moeda nativa da plataforma. Isto fez com que diversas equipes e projetos pudessem emitir sua própria criptomoeda através de um token no Ethereum, usando o processo de “oferta inicial de moedas” (ou ICO, do inglês initial coin offering), que se tornaram muito comuns a partir de 2016 e causaram uma grande euforia entre investidores em 2017 e 2018, levantando bilhões de dólares e financiando centenas de projetos.

Além de tokens que funcionam como altcoins, a plataforma Ethereum também possibilita outros tipos de tokens e outras aplicações em contratos inteligentes. Um exemplo são os tokens não-fungíveis, em que uma unidade não pode ser subdividida ou somada com outra e cada token é único, possibilitando a representação de ativos reais ou digitais como itens colecionáveis, ativos reais como imóveis ou títulos, e inúmeras outras possibilidades que representam o potencial da tecnologia em termos de adoção e transformação.

A tecnologia Blockchain também vem sendo empregada em várias áreas sem vínculo a criptomoedas, como utilização em logística e supply chain, área de saúde, indústria alimentícia, indústria fonográfica e proteção de direitos autorais e muitas outras. Algumas pessoas acreditam que a adoção de Blockchain nestas outras áreas pode ultrapassar a utilização em criptomoedas, indicando que o potencial da tecnologia é muito maior do que o que já foi mostrado até o momento.

Gigantes empresas como Google, Microsoft, Mastercard, Santander e centenas de outras, bem como governos ou órgãos governamentais, vêm pesquisando e utilizando Blockchain, e o número de profissionais e aplicações vêm crescendo exponencialmente.

Professor autor: Daniel Duarte Figueiredo