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A importância estratégica da inovação nas organizações

A importância estratégica da inovação nas organizações

Entenda melhor como a inovação é um tema cada dia mais presente nas empresas.

Ao longo da disciplina Gestão da Inovação e Mudança Organizacional, temos a oportunidade de discutir diversos assuntos de interesse, numa estrutura suportada por conceitos sólidos e objetivos, que vão desde a definição até a execução de uma estratégia de inovação. Um dos objetivos dessa estrutura é justamente de trazer mais consistência ao assunto, fugindo do campo das opiniões e “causos” e avançando para o campo dos métodos e das aplicações, elevando assim a importância estratégica do tema em organizações de diferentes portes e segmentos. Todo o material didático (apostila, vídeos, slides) reflete essa rigorosa abordagem.

A vantagem de poder escrever um post, por outro lado, é justamente de poder trazer um pouco de opinião sobre o tema…

Muito ainda se fala hoje sobre inovação. Talvez com uma intensidade e uma frequência um pouco menor do que há 10 anos, quando vivíamos num cenário econômico completamente distinto do atual, e em que figuravam investimentos nunca antes vistos na história deste país em expansão de capacidade, tecnologia, enfim, inovação. Naquela época, a impressão era de que havia uma grande demanda represada e que havia finalmente sido posta em pauta pela grande disponibilidade de recursos. E tão grande quanto os investimentos eram as expectativas quanto aos resultados – quase sempre com uma percepção equivocada do horizonte de maturação (afinal, a inovação tecnológica está mais para uma corrida de fundo do que para uma corrida de velocidade).

Os anos que se seguiram trouxeram alguns bons resultados, uma boa dose de realidade, algumas decepções, mas muito, muito aprendizado. Depois de um tempo simplesmente buscando “surfar a onda”, várias organizações – sejam elas de micro ou de grande porte, em segmentos de mercado mais tradicionais ou mais dinâmicos – conseguiram trazer o tema inovação para dentro de sua cultura organizacional e de sua estratégia corporativa. E o mais interessante é que, para essas organizações, parece não haver muita distinção entre atividades de (gestão de) inovação e as atividades do dia a dia, tamanha a integração de conceitos, ferramentas, times e investimentos. Não é difícil identificar alguns bons exemplos, desde startups de sucesso como a Sambatech, passando por organizações maduras em que a própria identidade é inovadora, como a ThoughtWorks, até gigantes da tecnologia, sejam elas tradicionais como a Apple ou ainda jovens brilhantes como o Google.

Em cada uma dessas organizações (e existem várias outras além do segmento de tecnologia da informação em que essa lógica também, se aplica), a inovação é tratada de maneira transparente desde a estratégia até a execução, desde o desenvolvimento de novos produtos e serviços até a melhoria de processos internos. Nelas, todas as pessoas são envolvidas, com maior ou menor intensidade, na sustentação de uma cultura de abertura, colaboração e criatividade.

Naturalmente, os resultados aparecem.

Eu me lembro de um curso que fiz uma vez sobre inovação e empreendedorismo, e me lembro também da estranheza com que algumas pessoas ouviam o termo gestão da inovação, como se fosse alguma tentativa de burocratizar um processo altamente dependente de criatividade. Na época eu  defendia o “gestão da estratégia” pensando em todo o esforço de transformação necessário para incorporar métodos, ferramentas, cultura em uma organização tradicional. Pensando com a cabeça de hoje, talvez seja exatamente por aí: organizações que conseguiram elevar a importância estratégica do tema inovação, promovendo uma transformação profunda em seus processos, sua cultura e suas pessoas, não têm muito mesmo porque falar em gestão da inovação – a própria “gestão” já incorpora a inovação de maneira natural e sustentável.

Pra fechar, vale a pena ressaltar mais uma vez o papel fundamental das lideranças, sejam elas hierárquicas ou técnicas, formais ou por influência, de qualquer nível ou setor. É preciso comprar a ideia, alinhar expectativas, romper barreiras, mantendo os pés no chão enquanto o intelecto viaja em possibilidades de criar valor novo.

Professor autor: Bruno Pimentel