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Adoção de métodos ágeis em gerenciamento de riscos dos projetos de Tecnologia da Informação

Definir estratégias parcimoniosas para identificar e endereçar riscos ao utilizar novos métodos de gerenciamento aumenta o conhecimento e grau de envolvimento das equipes trabalhando em projetos de Tecnologia da Informação (TI).

O gerenciamento de riscos é aplicada em portfolios, programas e projetos para qualquer indústria, não apenas TI. Produtos, serviços e qualquer resultados devem ter uma abordagem de riscos para identificação e planejamento junto aos stakeholders, independente do tamanho ou complexidade do empreendimento. Não é diferente com os projetos que são considerados ágeis ou flexíveis.

Evidente que mesmo nos projetos simples e curtos, as coisas podem sair da maneira não desejada. Entretanto, o uso de séries contínuas de entregas produzidas em ciclos curtos, entregas sendo comparadas com expectativas dos clientes e maior engajamento da equipe podem contribuir para que riscos sejam minimizados ou mitigados. Define-se riscos neste ambiente ágil e flexível como evento incerto, podendo afetar os objetivos do projeto de TI, contribuindo para o sucesso ou insucesso deste esforço tecnológico informacional temporário.

Gerenciamento de riscos em ambientes tecnológicos buscando agilidade e flexibilidade

Neste contexto, o gerenciamento de riscos em ambientes tecnológicos buscando agilidade e flexibilidade deve compreender a existência de oportunidades e ameaças. Esta gestão continua deverá ocorrer de forma proativa e durante todo o projeto. Sim, é bem parecido com o que já estávamos fazendo para projetos em cascata. Mantém-se a sequência identificar, avaliar, definir ações e agir. Como no passado, os riscos podem ser positivos ou negativo, gerando oportunidades ou ameaças.

Adentrando na semântica conceitual, existe diferença entre riscos e incertezas. Sobre riscos temos algumas informações, na incerteza muito pouco sabemos. Com este raciocínio, faz-se relevante definir outro termo muito utilizado no mundo dos projetos de TI, o issue. Esta palavra remete as certezas já disparadas por um evento dentro de um projeto e que já tornou-se um problema a ser resolvido, devendo ser tratado pela equipe.

Genericamente falando, tanto na ótica tradicional do gerenciamento de riscos como nas novas propostas em função da agilidade, o apetite, tolerância e limites dos riscos são considerados. Definir a quantidade de incerteza que os stakeholders estão dispostos a assumir reflete o apetite. Indicar o grau de risco que os stakeholders resistirão relaciona-se com sua tolerância. Os limites dos riscos referem-se ao nível em que o risco é aceitável para a organização. Se o risco estiver abaixo do limite, os stakeholders têm maior probabilidade de aceitar. Assim, a comunicação com os stakeholders perante os riscos é fundamental para as duas perspectivas, cascata e ágil.

Em tempos de valorização da inovação, podemos observar o aparecimento de técnicas como o Spike. Spike é um experimento que envolve pesquisa e prototipação para identificação dos potenciais riscos. Significa peça fina e pontiagudo de metal, madeira ou outro material rígido. É a parte visível do risco, vai indicar indícios por meio de experimentos ou protótipos. Em um spike, alguns dias de exercícios intensos são conduzidos no início do projeto. Se a perspectiva é a reutilização, então técnicas de identificação de riscos nos métodos ágeis podem incluir a revisão de lições aprendidas, checklist de riscos, lista de riscos automáticos, brainstorming e Estrutura Analítica de Riscos (EAR). Percebe-se o uso de técnicas já amplamente difundidas na época em que o gerenciamento linear reinava.

Concluindo, a estratégia para gestão dos riscos em projetos utilizando métodos ágeis possui semelhanças com o que já se fazia. O conhecimento adquirido em soluções consolidadas pode apoiar a migração de forma suave para inovações nos processos que envolvem os riscos. O gerenciamento de riscos tem maior foco em stakeholders nas novas abordagens. Tamanho ou complexidade não significa que uma ou outra técnica será descartada. Em suma, este artigo poderia levar no título a palavra simplificadora ao invés de inovadora, caso o uso de tais técnicas não agregassem valor para os projetos de TI.

Professor autor: Eder Alves