IGTI Blog

O Minimum Viable Product como ferramenta para inovação

Da ideia à validação de hipóteses de sucesso.

Minimum Viable Products (MVPs) têm se tornado, de fato, os Most Valuable Players (outro tipo de MVPs). Em contextos de incerteza de mercado ou de tecnologia – e hoje a incerteza é parte integrante da vida corporativa – novas ideias, novos conceitos, novas estratégias precisam ser minimamente validadas antes de se converterem em investimento – por vezes irreversível.

Um MVP, ou produto minimamente viável, é uma ferramenta conceitual para validar hipóteses. O termo foi cunhado por Frank Robinson e popularizado por Steve Blank e Eric Ries num esforço para dar ênfase a uma questão tão simples quanto importante: de que vale a pena construir uma solução brilhante para um problema que não interessa a ninguém?

Compreender bem o problema, e explorar as diferentes possibilidades de solução envolve, assim, avaliar hipóteses sobre o que pode ou não funcionar, sobre os níveis de engajamento de clientes potenciais, sobre o tamanho de mercado, e várias outras.

O MVP é, então, uma abordagem para validar hipóteses de interesse para um determinado problema. Projetos de inovação ou empreendedorismo, por exemplo, podem se valer bastante dos MVPs justamente para validar hipóteses de sucesso sobre uma ideia.

Vejamos alguns exemplos:

Nick Swinmurn fundou a Zappos com base em um experimento para validar a seguinte hipótese: “existe demanda para um bom serviço online de venda de sapatos?”. Para avaliar sua hipótese, Nick realizou um experimento bem simples: ele foi até uma loja (física) de sapatos e tirou fotos de alguns produtos, combinando com o dono da loja que voltaria e compraria aqueles produtos caso alguém decidisse comprá-los pela Internet. Nick disponibilizou os produtos em um website bastante rudimentar, com funcionalidades limitadas de navegação e comunicação entre cliente e “loja” – algo bem distante do que se esperaria hoje de uma aplicação robusta de comércio eletrônico. Mas os resultados do experimento foram animadores. Por meio deles, a Zappos aprendeu sobre a demanda real, além de se criar uma melhor compreensão sobre as necessidades dos clientes, seu comportamento e decisão de compra. O crescimento da Zappos foi impressionante. Tanto que, em 2009, foi vendida – muito a contragosto de seu fundador – para a Amazon, por US$1,2 bilhão.

Num dado momento da história da Internet, havia o The Point, uma plataforma de “ativismo coletivo” que possibilitava organizar ações cívicas, influenciar a mudança e o impacto social positivo. Andrew Mason e seu time eram fascinados com a ideia, e investiram onze meses de trabalho intenso no seu desenvolvimento. Depois de lançar o The Point, no entanto, os fundadores perceberam que, apesar da ótima ideia, o valor capturado era muito inferior ao valor criado – ou seja, o negócio não seria viável. A epifania veio quando Andrew decidiu usar a mesma estrutura de plataforma para ajudar a vender, com bons descontos, as pizzas produzidas no restaurante que ficava no andar térreo do prédio que sua startup ocupava. A ação foi um sucesso, o que levou o time a desenvolver um website simples para vender cupons de desconto, validando a dinâmica de divulgação, venda, entrega e execução das ofertas – nascia então o Groupon.

A ideia básica do MVP é que a experimentação leva a melhores resultados – e é claro que funciona, pois a natureza vem fazendo isso desde sempre!

O problema é que, para empreendedores e inovadores, realizar experimentos custa alguma coisa: dinheiro, tempo, esforço, ou algum outro valor frequentemente escasso. A premissa fundamental do MVP é justamente a obtenção, com o menor investimento possível, do maior volume de aprendizado possível sobre o problema.

Com isso, os investimentos podem se tornar mais acertados, interrompendo projetos pouco promissores logo no seu início (e antes da gastança), e priorizando investimentos em projetos ou ideias com maiores chances de sucesso – chances que agora, com hipóteses validadas (ou invalidadas), são bem mais assertivas que apenas insights.

Em suma: elabore ideias; levante hipóteses; experimente; avalie os resultados; decida.

Professor Autor: Bruno Santos Pimentel

 Fontes:

An MVP is not a Cheaper Product, It’s about Smart Learning

Building a Minimum Viable Product? You’re Probably Doing it Wrong

The Lean Startup

3 Awesome Minimum Viable Products (MVPs)