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design de interação

O processo de Design de Interação

A interface de usuário é como uma piada. Se você tem que explicar, ela não está boa.

O design de interação é uma disciplina voltada para o projeto de artefatos interativos. O seu foco é nas relações humanas formadas através desses artefatos, que funcionam também como meio de comunicação interpessoal.

O processo de design de interação é uma atividade direcionada à resolução de um problema de interação que leva em consideração o uso, o domínio da interação e a praticidade. É considerada uma atividade prática e criativa, porque visa auxiliar o desenvolvimento de produtos que ajudam os usuários a atingirem seus objetivos.

 As principais atividades envolvidas em um processo de design são:

 Identificar necessidades e estabelecer requisitos

Essa é uma atividade importante do design de interação. Ela permite conhecer quem são os usuários-alvo e que tipo de produto interativo pode ser oferecido de forma que seja útil. As necessidades dos usuários-alvo constituem a base dos requisitos do produto que sustentam não só o projeto, mas também o seu desenvolvimento. O entendimento dessas necessidades é adquirido por meio da coleta e análise de dados.

 Existem duas formas básicas de conhecer o usuário: perguntando ou observando. Para perguntar os usuários podemos usar: questionários, entrevistas e grupos focais.

 Questionários são muito utilizados quando os projetistas identificam a necessidade de coletar informações de multiusuários.

 As entrevistas podem ser não-estruturadas (para identificar reações iniciais), semi-estruturadas (para ter uma visão aprofundada)  ou estruturadas (que retorna informações sobre um aspecto específico). Já nos grupos focais, os indivíduos desenvolvem suas opiniões em um contexto social conversando uns com os outros.

O grupo focal permite a geração de uma visão de consenso e/ou identificação de pontos de conflito.

 Para observar os usuários é preciso tempo e dedicação de uma pessoa da equipe de design,  podendo gerar um grande volume de dados. Essa pessoa passará um tempo com os usuários no seu cotidiano, observando suas tarefas diárias e o desenvolvimento do trabalho.

 Desenvolver soluções alternativas

Esta é uma atividade fundamental do design de interação. Geralmente as pessoas tendem a se apegar naquilo que já estão acostumadas, logo inovações surgem através da troca de ideias de aplicações diferentes, da evolução de um produto por meio do uso e observação, ou da simples reprodução de outros produtos semelhantes. Nesse momento deve-se procurar por fontes de inspiração e também se apoiar no conhecimento obtido a partir da solução de problemas anteriores

 Essa atividade pode ser dividida em duas subatividades: o design conceitual e o design físico.

 O design conceitual descreve uma abstração que define o que as pessoas podem fazer com o produto e quais conceitos serão utilizados para entender como interagir com ele. O design físico considera os detalhes do produto tais como cores, sons, imagens, design de menus e ícones que serão utilizadas.

 Prototipar

A maneira mais simples dos usuários avaliarem um produto é interagindo com ele, e para isso é necessário uma versão interativa. A forma mais prática de alcançar essa interação é através de protótipos. Geralmente os protótipos não têm estilo tipográfico, cor, ou gráficos, o foco principal está na funcionalidade, no comportamento e no conteúdo do produto.  Além disso, o protótipo precisa ser flexível a alterações rápidas permitindo que se façam testes dos vários pontos do projeto.

 Os protótipos podem ser: de baixa fidelidade e de alta fidelidade.

 Os de baixa fidelidade são basicamente compostos por elementos simples como quadrados, linhas, círculos, triângulos sobre um fundo simples (normalmente em branco) e com alguns rótulos. Geralmente são feitos em papel, o que os tornam rápidos e baratos de construir e eficientes para identificar problemas em estágios iniciais do design. Os protótipos de baixa fidelidade não são mantidos e nem integrados no produto final, são apenas para exploração.

Os de alta fidelidade são mais incrementados e utilizam elementos que se espera que estejam no produto final, como cores, sons, imagens, ícones, o logo do cliente, etc. Protótipos de alta fidelidade são úteis para vender ideias às pessoas e para testar questões técnicas.

 Avaliar

É a etapa mais importante do processo de design de interação, porque é o momento onde ocorre a apreciação da solução proposta com o objetivo de verificar se a mesma atinge as necessidades dos usuários-alvo. A avaliação permite identificar problemas, tanto de interação quanto de interface, que possam prejudicar a experiência do usuário durante a utilização do produto. Ela foca tanto na usabilidade do sistema (o quanto é fácil aprender sobre ele e utilizá-lo), quanto na experiência do usuário ao interagir com o sistema (quão satisfatória, agradável ou motivadora é essa interação)

 Os tipos de avaliação comumente utilizados são: avaliação por inspeção e avaliação em ambiente controlado.

 Avaliação por inspeção é baseada na análise da interface por especialistas e tem como objetivo identificar potenciais problemas que os usuários podem vivenciar. Esse tipo de avaliação não envolve a participação de usuários, e o método mais utilizado para esse tipo de avaliação é a avaliação heurística.

 Avaliação em ambiente controlado é executada em laboratório, envolve usuários na execução da tarefa, e especialistas na preparação e análise dos dados. É baseada na experiência real do usuário e o método mais utilizado para esse tipo de avaliação é o teste de usabilidade.

 As atividades citadas acima são todas interligadas. As soluções alternativas desenvolvidas são avaliadas por meio de protótipos e os resultados são alimentados nos designs posteriores ou podem identificar requisitos ausentes. 

Professora autora: Natália Sales Santos