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O Papel dos Pequenos Provedores e Startups na Consolidação da Computação em Nuvem

O Papel dos Pequenos Provedores e Startups na Consolidação da Computação em Nuvem

As novas formas de se contratar TI, decorrentes do modelo de nuvem, tem feito empresas mudarem sua forma de pensar esse mercado.

Você precisa de uma ferramenta para gerenciamento de projetos para sua empresa, seja uma pequena, média ou grande corporação. Quais as opções que você tinha há alguns anos atrás? Talvez fazer o planejamento com ferramentas caseiras (Excel, Word, Lotus, etc.) ou contratar softwares até então caros, como MS Project ou Primavera, que exigiam longas e exaustivas negociações com fornecedores e aprovação de orçamento. Certamente a primeira opção, utilizar ferramentas caseiras, era prontamente descartada por grandes empresas.

E hoje? A Computação em Nuvem, especialmente falando do modelo SaaS (Software as a Service) trouxe uma revolução até então não imaginada por boa parte das empresas, principalmente as tradicionais. Em uma rápida pesquisa no Google, encontramos um número imenso de ferramentas de gestão de projetos, custando de poucos reais a milhares de dólares, ou até mesmo sendo gratuita para pequenos projetos ou poucos usuários. Qual a mágica disso? A mudança na mentalidade de quem contrata! As empresas que necessitam deste tipo de serviço estão cada dia mais perdendo o medo de apostar em soluções inovadoras, diferentes das tradicionais, mas que entregam valor para o dia a dia da organização a um preço justo. Elas estão percebendo que a mesma filosofia do almoço self-service pode ser aplicada à TI. Eu pago pelo peso do que como, se tenho pouca fome, como pouco mas pago igualmente pouco. Se tenho muita fome, penso se é melhor o custo benefício de continuar no sistema por kg ou se é mais interessante partir para um rodízio ou buffet livre. O poder de decisão nunca esteve tanto com o consumidor.

Esta mudança não ocorre somente na cabeça de quem contrata ou analisa a ferramenta. Ela precisa acontecer, e vem acontecendo paulatinamente, também com outras áreas não-TI que possuíam uma mentalidade tradicional. Quem imaginaria uma empresa de grande porte, conservadora, sisuda, disponibilizando um cartão de crédito corporativo para pagar o aluguel mensal de um software produzido no interior da Finlândia, cujo único contato é através de um formulário web? Inimaginável em uma transação tradicional que exigiria longos e complexos contratos sendo analisados pelo departamento jurídico e tomadas de cotação exaustivas pela área de compras. E esta mudança ocorre não por mera boa vontade. É a lei do mercado. Em tempos de enxugamento de custos, não há o que se discutir entre pagar R$99,00/mês para uma solução que atende às minhas necessidades versus R$ 99.000,00 (mais custos de suporte, infra, etc.) para uma solução que vai também atender minhas necessidades mas traz junto uma infinidade de funcionalidades que não necessito.

A mudança para esse cenário só foi possível e só tem crescido cada vez mais devido às Startups,  que surgem em um volume e velocidade imensos a cada dia. Vários são os motivos que vem permitindo esse tipo de empresa ganhar as atenções de companhias, que até então só tratavam comercialmente com gigantes como Microsoft, Oracle, SAP, etc. A facilidade de se desenvolver e divulgar um produto, os incentivos governamentais ou não para implantação deste tipo de empresa; a mudança de mentalidade dos jovens empreendedores (maioria entre o perfil de criadores de startups) que já saem da faculdade com o intuito de desenvolver um negócio do tipo; a facilidade de cobrança dos serviços de forma segura e abrangência mundial; a melhoria na infraestrutura tecnológica, seja de dispositivos de acesso até redes móveis mais velozes e estáveis; dentre muitos outros.

Pelo visto estamos voltando à década de 70, quando empresas milionárias sugiram nas garagens de seus fundadores. E o mais interessante disso é que as próprias empresas, que daquela época até hoje se tornaram gigantes do mercado engessadas pelo seu próprio tamanho, descobriram que não conseguirão sobreviver se não entrarem nesse jogo. Várias destas empresas mudaram sua filosofia ou criaram núcleos e departamentos que funcionam como startups, geridas por pessoas com a mentalidade de quem cria um sistema de gestão de projetos no interior da Finlândia.

Não por acaso existem hoje formações acadêmicas, como o MBA em Gestão de Infraestrutura de TI como Serviço do IGTI, voltadas especificamente para demonstrar e ajudar a aproveitar melhor essa nova forma de pensar, seja como consumidor ou fornecedor de soluções na nuvem.

Professor autor: Paulo Nascimento