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Desenvolvedor full stack: entenda o que é, o que faz e como trabalha

Você sabe o que significa ser um profissional full stack? Flexível, ele trabalha com front e back-end: entenda tudo a seguir

As carreiras de tecnologia não param de crescer e novos termos surgem no mercado. Um deles é o chamado desenvolvedor Full Stack. Este profissional está em evidência por dominar todas as etapas da evolução de uma aplicação. A habilidade técnica e compreensão do funcionamento de todo o negócio, permite que ele especifique e implemente um projeto como um todo de forma prática e objetiva, facilitando a viabilização de novas ideias e podendo implementá-las nas empresas. Entenda melhor abaixo a sua atuação.

O que é full stack?

Cunhado por Carlos Bueno, colaborador do Facebook, o termo Full Stack surgiu em 2010. Stack, palavra em inglês para “pilha”, se refere às tecnologias utilizadas para a confecção de sistemas. Unida à Full, descreve os programadores generalistas, que conseguem sozinhos desenvolver aplicações não triviais completas.

Chamados de dois-em-um, esse profissional precisa ter noção das diversas áreas de conhecimento de sistemas e saber lidar bem com cada uma delas. As principais áreas, ou camadas, são: back-end, front-end, banco de dados, devops e mobile.

Esses profissionais tendem a ser especialistas em front-end ou back-end, mas costumam ter conhecimento suficiente para resolver problemas de ambientes e tecnologias em que que não são experts. É o que explica o professor de desenvolvimento do IGTI, Raphael Gomide. “Eles unem diferentes frentes de desenvolvimento, trabalhando com a parte que o usuário interage até a parte interna, aquilo que acontece no sistema. Além disso, também auxiliam no processo de implantação e operação das aplicações”, explica ele.

O que faz e o que resolve um full stack?

Com seu conhecimento e experiência, o full stack pode atuar e tomar decisões estratégicas em qualquer camada do software. Isso significa que eles podem agir em praticamente qualquer projeto de tecnologia, desenvolvendo aplicações de forma completa, internamente e externamente. Além disso, possuem a capacidade de resolver problemas que poucos profissionais conseguem. Alguns exemplos são:

  • Bugs de software: defeitos de um sistema que podem interromper o funcionamento do negócio.
  • Gargalos de performance: identificação de falhas de código que podem gerar baixa performance nos sistemas limitando a capacidade de atendimento ao cliente.
  • Escalabilidade: identificação de possíveis falhas de infraestrutura que poderão limitar a capacidade atual e futura do ambiente
  • Manutenibilidade: identificação de falhas na adoção de boas práticas de codificação que limitam a capacidade de evolução e de adaptação dos sistemas às novas demandas do mercado.

Como o full stack trabalha e quais são suas habilidades?

Os desenvolvedores full stack são peças-chave na engrenagem da tecnologia atuando em projetos de diferentes complexidades e escopos. O conhecimento e a capacidade de se adaptar a novas tecnologias e cenários é o principal requisito para ser um desenvolvedor full stack. No seu dia a dia, ele precisará lidar com tecnologias diversas, tais como:

Front-end: é a parte da aplicação que o usuário utiliza para interagir com o sistema, como as interfaces gráficas e comunicação. A evolução da web permitiu interfaces baseadas em componentes reutilizáveis e com arquiteturas cada vez mais complexas, mas que ao mesmo tempo melhoram a experiência do usuário, principalmente por meio de um conceito conhecido como reatividade. As principais tecnologias de front-end atuais são as bibliotecas e frameworks Angular, React e Vue.js, todas elas baseadas nas linguagens JavaScript e/ou TypeScript.

Back-end: refere-se à infraestrutura interna de software, autenticação, regras de negócio e persistência de dados. Atualmente, a grande maioria das tecnologias para back-end se comunicam com o front-end através de API’s (Application Programming Interface) por meio do padrão REST ou GraphQL. Os dados são trafegados em sua grande maioria no formato JSON (JavaScript Object Notation). As principais linguagens de programação utilizadas no back-end são Java, C#, PHP e JavaScript (Node.js).

Bancos de dados: são os sistemas especializados em coletar e recuperar os dados utilizados em um ou mais projetos. Permitem também a extração de relatórios com informações estratégicas sobre a evolução da aplicação. Atualmente, existem as vertentes SQL e NoSQL Databases.

Devops: é o processo para manter o sistema em produção de forma estável e com alta performance e disponibilidade. O monitoramento e os testes para novas versões fazem parte dessa rotina. Há também a integração contínua, que realiza todas as etapas necessárias para que o sistema seja atualizado em produção com o mínimo de impacto possível. Também é comum e importante a adoção de microsserviços em sistemas mais complexos, que quebram funcionalidades em pedaços menores, aumentando a coesão e diminuindo o acoplamento do sistema. Assim, caso determinada parte da aplicação fique fora do ar, o sistema não para por completo e pode se manter funcionando apenas com determinada funcionalidade offline.

Mobile: consiste na criação de apps para dispositivos móveis em grande partes dos sistemas atuais. A tecnologia mobile pode ser definida como uma alternativa e/ou complemento ao front-end.

Por que ter ou ser um full stack?

A informação é algo vital e as organizações dependem de sistemas que as auxiliem a prosperarem no mercado. Para que esses dados cheguem aos tomadores de decisão de forma transparente e eficaz, é preciso ter sistemas robustos, funcionais e escaláveis, que facilitem a coleta e a análise. Nesse cenário, os programadores full stack têm sido cada vez mais requisitados por empresas de diversos segmentos pela sua versatilidade e capacidade de serem aliados de grande impacto. Seus conhecimentos para manter projetos de tecnologia de qualidade em pleno funcionamento tornam esses profissionais excelentes ativos para as organizações, pois conseguem ter uma visão ampla sobre as necessidades de uma aplicação em suas diversas camadas.

Os sistemas de informação desenvolvidos por eles são essenciais para que líderes entendam o que a empresa precisa, onde há problemas e onde estão as oportunidades. Esse pode, inclusive, ser um diferencial competitivo. Possuir tecnologias desse tipo são grandes destaques nas organizações, porque garantem que estratégias inteligentes possam ser desenvolvidas.

Por onde começar a carreira de full stack?

Para muitos profissionais, entrar na área pode acontecer naturalmente, começando por uma parte do desenvolvimento, como o back-end, e depois ganhando conhecimento e afinidade com outras tecnologias. Segundo o professor Raphael Gomide, o ideal é iniciar os estudos com front-end. “Possuir essa base é importante para que o entendimento do full stack comece por aquilo que é primordial para os usuários: o que eles interagem. Dessa forma, o profissional vai conseguir entender e até prever o que vai ou não funcionar para seus clientes finais”, ressalta.

O desenvolvimento front-end exercita conhecimento para a criação de interfaces gráficas responsivas e reativas, e é uma das principais bases do profissional full stack. Estudar sobre experiência de usuário – também conhecida como UX– também pode ajudar, já que esse é um tópico muito discutido  atualmente. A ideia é garantir que a interação e experiência do usuário não seja comprometida e funcione com qualidade para mantê-lo o máximo de tempo possível nos sites e aplicativos.

Quando acionar o full stack?

O técnico full stack é essencial para qualquer negócio, já que pode melhorar o funcionamento interno ou atuar em aplicações para o público geral. Normalmente, eles são procurados quando novas ideias são propostas ou quando um sistema não está funcionando tão bem quanto poderia.

Qualquer projeto ou sistema de informação que tem presença na web – desde sites até softwares usados por empresas para organizar processos – pode ser bem mantido e evoluído com a presença de profissionais full stack. Ao incluir o profissional na empresa ele poderá melhorar softwares internos, entender demandas importantes e consertar erros que podem estar atrapalhando o fluxo de trabalho e evolução do sistema.

Em algumas organizações, os desenvolvedores podem atuar exclusivamente em front-end ou back-end, mas é muito comum que se opte por contratar pessoas com ambos os conhecimentos, a fim de garantir que os processos não sejam comprometidos por problemas de comunicação, por exemplo.

Como trabalhar com tantos sistemas?

“Ser um profissional full stack não é fácil e você precisa de muita bagagem para isso”, comenta Gomide. Seu maior diferencial e destaque é ser multifuncional, o que também pode torná-los difíceis de encontrar.

Um dos grandes hábitos desses desenvolvedores é estar em constante aprendizado, procurando entender o que há de novo no mercado. Isso garante que haja atualização de conhecimentos, o que faz com que o profissional compreenda ao menos o básico de várias linguagens que estão surgindo.

Além disso, essa é uma saída para quem não quer focar os conhecimentos em apenas um tipo de desenvolvimento tecnológico e prefere expandir as oportunidades.

Como funcionam os projetos dos desenvolvedores full stack?

Cada trabalho do desenvolvedor vai depender da complexidade do sistema em que está trabalhando. Projetos de tecnologia funcionam de maneiras diversas. Alguns são pautados pelo objetivo de uma empresa. Por exemplo: uma loja física decide ter um e-commerce e precisa de alguém para auxiliar no desenvolvimento do site. Esse pode ser um trabalho específico, em que o desenvolvedor atua pontualmente, mas também pode ser um projeto contínuo.

Depois de criado, a presença do profissional pode ou não ser requisitada para manter tudo funcionando como deve. Assim, a duração dos projetos também é incerta. Existem aplicações que são eternas, ou seja, sempre há evolução ou manutenção. Mas também há aquelas que podem ser finalizadas rapidamente com as habilidades multifuncionais do profissional.

Quais são as limitações da área? 

Com o cloud computing em evidência e diversos fornecedores desse tipo de serviço, a grande limitação, na opinião de Gomide, é financeira. “É possível contratar uma excelente infraestrutura escalável, mas quanto mais poder de processamento e escalabilidade, mais cara é a assinatura”, explica o professor.

Além disso, trabalhar com funcionários multifuncionais é muito positivo para as empresas, mas isso pode significar que, quando houver necessidade de contar com um especialista, haja resistência. O full stack é um grande conhecedor de diversas áreas, mas quando o assunto exige conhecimentos específicos e profundos, um expert em determinada tecnologia pode ser interessante também.

Quais as tendências de mercado?

O mercado demonstra interesse nos profissionais da área e é possível encontrar especialistas nas três frentes: aqueles que atuam apenas com front-end, com back-end ou full stack.

Como essa é uma área em ascensão, muitas vagas estão surgindo, demandas estão aumentando e nem sempre há pessoas suficientes para ocupar esses cargos. Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), companhias vão precisar de 420 mil trabalhadores até 2024.

Há espaços em diferentes setores: desde multinacionais a startups e fintechs. Já quando o assunto é salário, os números variam. É comum que o programador full stack seja melhor remunerado, mas há exceções.